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sábado, 19 de janeiro de 2019

Vouga Trail


Eram sete da manhã e o despertador tocava. Estava quentinha, tinha o Pepe ao fundo da cama e ouvia a chuva a bater forte na janela do quarto. Tinha o meu livro "A Sombra do Vento" a cem páginas do fim mesmo ao meu lado na mesinha de cabeceira. Estavam reunidas todas as condições para dar parte de fraca e desistir do trail. Mas lá fui eu, a maldizer a minha vida, a perguntar porque me inscrevi e porque raio dou ouvidos a gente mais tolinha do que eu, mas fui.

Já na meta, tive a certeza que, de facto, inscrever-me neste trail não foi de todo a ideia mais iluminada de sempre. Não que ainda tivesse dúvidas, mas uma coisa é imaginar ai vai estar tanto frio, ai que vou levar com chuva da grossa, ai que as articulações nem vão aquecer e vou torcer um pé, ai que vou escorregar na lama e partir-me toda, outra é começar a sentir mesmo no corpo. Choveu o percurso tooooodo, ora mais miudinha ora mais forte, foram dezasseis quilómetros debaixo de chuva. 

Mas está feito. E agora que estou aqui, bem mais quentinha, completamente enrolada até ao pescoço na manta no conforto do sofá, penso e, apesar de toda a resmunguice e ratazanice aguda, não me arrependo nada de ter ido. Foi uma prova de muita força mental e no fim quase entrei em hipotermia, mas é mais uma experiência que levo comigo. O percurso é muito bonito, passámos pela Cascata da Cabreira, por exemplo, e por outros lugares igualmente bonitos que se não fosse este trail, provavelmente nunca iria conhecer. Depois, é aquele sabor bom da superação, de quem sai da zona de conforto. De qualquer forma, DUUUUUUVIDO que alguma vez me apanhem novamente num trail em pleno dia de Inverno. Frio? Ainda vá que não vá, mas chuva?? CREDO, senhores, CREDO!!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

São Silvestre Cidade do Porto


Depois de temas fracturantes como a Primeira Grande Guerra dos Programas das Manhãs Portuguesas, aposto que estava tudo em pulgas para que voltasse ao tema das corridas, confessem. Vamos lá então!

Antes da São Silvestre no Porto (que já lá iremos), a última vez que tinha calçado as sapatilhas para ir correr tinha sido em Setembro, no terceiro trail organizado pelos escuteiros de Águeda. Foram dezanove quilómetros tão sofridos que devo ter ficado com um pós-trauma qualquer, o que me levou a deixar passar ao lado algumas provas durante o resto do ano, apesar da insistência dos meus parceiros de corrida. Não foram dores musculares nem falta de resistência como por vezes acontece, nem tão pouco cansaço, foi mesmo uma valente dor de burro que não me largou desde o terceiro quilómetro, mais coisa menos coisa, até ao último dos últimos. Foi horrível!!! Correr com aquele desconforto ali a latejar do lado direito da barriga é pura tortura, senhores, TOR-TU-RA. Os entendedores entenderão. No inicio, quando ainda era uma principiante, era frequente sentir essa dor mas era uma coisa de minutos e passava. Uma hora nisto? Quilómetros e quilómetros a fio?! Fónix, parecia macumba.

Macumba ou não, não podia continuar armada em cocó e a deixar-me dominar pelo fantasma da dor de burro, então, assim na loucura e cheia de confiança, inscrevi-me na São Silvestre do Porto marcada para a véspera de fim-de-ano. Sempre ouvi maravilhas desta corrida, cheguei a inscrever-me em 2017 mas acabei por não ir, pelo que não ia deixar passar mais um ano. Amigas, foi qualquer coisa de espectacular! E confesso que já tinha saudades da sensação de correr e de alcançar a meta.

Embora nos últimos tempos ande mais envolvida nos trails, foi pelas ruas da cidade que ganhei o gosto pela corrida. E correr no meio de plena Invicta à noite foi só lindo. Já tinha participado na São Silvestre de Aveiro, mas ESQUEÇAM, a do Porto dá quinze a zero. O espírito é totalmente diferente, já para não falar no percurso em si que é bem mais interessante e desafiante. Não sei se é por sermos centenas e centenas de participantes e ser ali entre o Natal e o fim-de-ano, em que as pessoas ainda estão com aquele sentimento mais especial e as ruas ainda espelham o brilho da época, mas esta prova conquistou-me por completo. O ambiente é mesmo incrível, tem mooooontes de gente nas ruas a puxar pelos corredores, muita animação e muita música, o que dá um boost enorme. A chegada ao túnel de Ceuta, já nos últimos quilómetros, foi para mim o ponto alto da prova. AC/DC a ecoar no máximo entre aquelas paredes, malta a dançar, cartazes motivadores, enfim... Épico! Foi sem duvida o meu combustível para dar aquele gás final e conseguir cumprir o objectivo que tinha estabelecido: terminar abaixo de uma hora (58', não idem vocês pensar que despachei aquilo em 35'). E não há nada melhor do que a sensação de cumprirmos os nossos objectivos pessoais.


Quero dar mais uma vez os meus sinceros parabéns à organização, porque não é fácil mobilizar tanta gente, e, mesmo assim, conseguem criar um ambiente fantástico. Foi a minha primeira São Silvestre no Porto e, se Deus Nosso Senhor quiser, não será a última. E vocês, minhas lontras preguiçosas, não deixem de participar! "Ah e tal mas eu não aguento correr cem metros quanto mais dez quilómetros!!!", pois que têm o ano toooooooodo para treinar e podem começar já amanhã, está bom? Não m'enervem.


terça-feira, 15 de maio de 2018

Trilhos Luso Bussaco


desta feita, devidamente calçada!

O terceiro trail do ano e o mesmo sentimento de sempre: chegar ao fim e pensar "já está", "consegui", "venha o próximo". Aquele misto de desafio/superação que enche a alma e faz desejar por mais. O trail é isto. Mas também é ter de lutar contra o corpo e saber usar a cabeça nessa luta. É ter de ser mais forte a todos os níveis. É "c@&#% que a subida nunca mais acaba", "fdx, mais uma subida", "não aguento", "tirem-me daqui", "é desta que vou aos trambolhões até lá baixo", "nunca mais me meto nisto", "socorro", mas depois chegamos à meta e o "milagre" acontece. As dificuldades transformam-se em orgulho e os queixumes em sorrisos.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Corridas de obstáculos - a p*ta da loucura!!


"a vida é de quem se atreve a viver" ou...

Depois da Army Race em Novembro do ano passado, sabíamos que tínhamos de repetir a experiência, mas noutro lugar, com outros obstáculos e com outra organização. O entusiasmo era tal que ainda nem tínhamos acabado a prova e já estávamos a querer combinar a próxima.
"Ahhhhhhh vamos ao Wild Challenge!!"
"Nãooooo, vamos ao Police!!"
"Ahhhhh vamos é às duas!!"


Muito provavelmente já ouviram falar em corridas de obstáculos. Não é propriamente uma novidade, mas têm vindo a intensificar-se nos últimos tempos.
Só para se situarem, temos as corridas de estrada que decorrem em pisos de alcatrão com percursos relativamente homogéneos, e temos as corridas de trail que acontecem no meio da natureza por entre os trilhos das florestas. No caso das corridas de obstáculos, no mesmo percurso temos pisos de alcatrão, terra, areia, água e lama (com alta probabilidade de ter alguma trampa misturada pelo meio).



De gatas, a rastejar, de zorros, a correr, a trepar, a saltar, a agachar, a carregar, ou a puxar este é o tipo de prova onde, além de correr, também temos de estar preparados para ultrapassar uma série de obstáculos físicos.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Trail Bela Bela 2018


para o ano há mais

É verdade que sou uma novata nestas andanças e há, certamente, outros tantos trails com percursos super giros ao nível de paisagem e meio envolvente (tipo o MIUT, uma cena assim mais à frente), mas, NÃO M'ENERVEM e com licença: Belazaima do Chão (freguesia do concelho de Águeda, não vão vocês andar meios perdidos no mapa) tem dos trilhos mais bonitos, e tenho dito.

Dureza e cãimbras à parte (já lá vamos), foram 17 kms muito gratificantes devido a toda a envolvente, às paisagens, à descoberta, a pequenos grandes pormenores e ao esforço notório por parte da organização em criar um percurso bastante interessante. Cada quilómetro era percorrido com o entusiasmo de querer saber "o que virá a seguir".


O meu primeiro "txiiiii ca cena brutal!!" foi quando dei de caras com 50 metros (nem tanto, vá) de túnel com água quase pelo joelho, com um pequeno fio de luz LED no topo para não irmos totalmente às escuras. Felizmente, não sou claustrofóbica nem me ocorreram pensamentos do demo tipo a possibilidade de haver ratazanas flutuantes. A parte de subir a cascata também foi espectacular (apesar do cuidado que exigia para não ir com a cremalheira ao chão, por exemplo). Isso e os cartazes simpáticos e bastante sugestivos que íamos apanhando pelo meio.
Chegar ao topo, no Cabeço Santo, ver todo o horizonte e contemplar toda aquela paisagem também foi incrível (principalmente, por termos a real noção do quanto subimos). Dá para renovar energias e quase que esquecemos todas as caralhadas proferidas mentalmente ao longo da subida e que segundos antes estávamos à beira de vomitar um pulmão. E as passagens em pleno leito do rio? Não, senhores, não estava seco, tinha muiiiiita água a correr!! A primeira vez teve a sua piada, mas confesso que as seguintes passagens que implicavam ir na água mexeram-me com os nervos. Odeio a sensação de não saber onde estou a meter os pés e com a corrente da água era praticamente impossível ver o que quer que fosse. Foi o verdadeiro "seja o que Deus quiser". Já para não falar no desconforto que era retomar a corrida em terreno seco, uma vez que mal sentia os pés de tão gelados.

sábado, 7 de abril de 2018

Correr no meio do mato

2º Laac Trail - 25 de Março de 2018
Atravessar rios e riachos de água lamacenta, trepar montes e montes de terra, cordas, pontes improvisadas (e duvidosas), subidas de proferir caralhadas até lá cima e mais além, descidas de temer ficar sem dentes, saltitar por entre pedras, pedregulhos, galhos e cenas assim. Não ter medo de sujar a roupa nem nojo de ir com as mãozinhas de princesa à terra e de enfiar os pés na lama (e sabe-se lá onde). Companheirismo, muito companheirismo. Espírito de ajuda. Chegar ao fim e radiante da vida, mesmo com arranhões nas pernas e nos braços, possíveis pisaduras e com uma segunda camada de pele chamada pó/terra. Assim é correr no meio da natureza.

Na altura que comecei com isto das corridas e o bichinho acabou por ficar, sempre me disseram que trail não tinha nada a ver com as corridas em estrada: "correr no mato é qué fixe", "tens é de experimentar ir para o meio do mato", "opaaaaa quando é que vens correr para o mato?!!". Confirmo. É, sem sombras de dúvidas, muito mais giro e desafiante. E claro, muito mais duro também. Mas como diz a "outra": "o que não te desafia, não te transforma".

Conto apenas com quatro provas (e um xtrail onde quase faleci [rever aqui o meu atestado de quase-óbito]), sendo que o trail dos trails, o mais desafiante, técnico e exigente, foi o do Alfusqueiro em Julho do ano passado. Foram 18,5 kms de muita dureza, sendo que os primeiros 5 kms (sim, CINCO) foram sempre a subir com direito a escalada de rochas. E o calor? Deusmalivremacuda. Já para não falar nos últimos dois quilómetros (sempre a descer) que foram horríveis de tantas dores no joelho e nos tornozelos (fruto de sapatilhas inadequadas e possível falta de magnésio). E o cúmulo? Ter uma cãimbra mesmo a chegar à meta. No fim, o prazer da superação e a experiência em si aligeiram qualquer dor. É muito gratificante e passei por zonas que jamais conheceria se não fosse a prova. É outra das coisas boas dos trails.

E amanhã há mais. Desta feita, pelos trilhos de Belazaima, uma prova que em muito se assemelha à do Alfusqueiro, pelo menos ao nível técnico e de exigência. A malha está garantida, mas o desfrutar de paisagens deslumbrantes também. E o cúmulo? Continuar com sapatilhas inadequadas.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Temos tudo para dar certo

NIKE 119€

Menos dinheiro.


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

São Silvestre de Aveiro - a estreia


No sábado passado participei na minha primeira São Silvestre. Foi a minha terceira prova e a segunda de corrida. Depois de uma semana inteira de sol, quis o destino que chovesse a potes nesse dia, para além do frio e do vento que se faziam sentir. Como devem calcular, a minha vontade de sair do quentinho e do conforto de casa era mais ou menos a mesma de comer um prato cheio de brócolos e outro de feijão frade. Mas fui.

A experiência é curta, mas já deu para perceber que nenhuma prova é igual. O mesmo acontece com os treinos. Se há dias que corro sete quilómetros e outros tantos correria, outros há que ao fim de cinco quilómetros já estou a pedir socorro e com aquela sensação de não conseguir dar nem mais um passo sem vomitar um pulmão. Daí pairar sempre a dúvida "será que sou mesmo capaz?". O factor psicológico pesa muito, talvez tanto como a nossa preparação. E factores como alimentação e hidratação também influenciam a nossa aptidão física para esse dia, bem como o tipo de percurso. Sempre que me desafiam e me falam em provas a minha pergunta imediata é "tem subidas?". Não me julguem, mas não consigo pensar em subidas sem pensar em enfartes.

Recordo que na minha primeira grande prova, a Meia Maratona de Aveiro (eu sou aquela pessoa que começa a "casa" pelo telhado e não pelos alicerces, ah! ah! ah!), sentia-me com garra de leão e com uma vontade enorme de correr e de desfrutar cada quilómetro. Mas o meu batido de frutas atraiçoou-me e os últimos dez quilómetros foram terríveis (e dispensam mais comentários, wuuaaahh). Ainda hoje não sei como não desisti e foi o que tornou o passar da meta ainda mais especial, apesar do tempo que levei a fazê-lo. Além disso, era a minha primeira vez.
Na minha primeira prova de trail  estava com a cabeça longe e o psicológico não estava a cooperar com a parte física, mas fez-se e a natureza e toda a envolvente também ajudou.
Nesta última prova, a disposição não sendo zero era quase. Embora a ideia de "prova" dê sempre uma motivação e força extra, eu sentia-me nos dias "não". E eu nos dias "não" fico do contra e com um humorzinho daqueles mesmo bons (só que não). Estava um belo "31" montado, portanto. Mas fui. Porque era a minha primeira São Silvestre, porque disse que ia, porque estava inscrita, porque era a minha primeira prova de 10 kms e porque tinha como objectivo pessoal despachar aquilo em 55 minutos.

Aparentemente, não era um objectivo muito ambicioso, mas era o objectivo de quem corre apenas de quando em vez e simplesmente pelo prazer que dá. Tenho meses que até consigo correr 1/2 vezes por semana, mas também tenho alturas que se correr 2/3 vezes num mês é muito. Não é fácil conciliar trabalho, ginásio, vida pessoal, o blog e ainda as corridas. Há sempre algo que acaba por ficar para trás e, neste caso, quem tem "sofrido" é o blog. Desta forma, é mais difícil ganhar ritmo e melhorá-lo, pelo que não podia pedir muito para esta prova. Mas para quem fez os primeiros dez quilómetros da vida em 1:04:06 e mesmo os seguintes que andaram sempre em torno dos 59'/1h, penso que 55' era um bom desafio.

Falhei o dito objectivo por 9 segundos. Terminei a prova em 00:56:09. Apesar disso, nada tira aquela sensação boa de cruzar a meta e de ter sido mais forte do que a preguiça e do que qualquer coisa mais. É quando chego ao fim que me lembro do porquê de estar ali, do porquê de escolher levar com chuva e vento ao invés de estar no sofá. Custa sempre ir, umas vezes mais do que outras, mas não houve uma única vez que me tivesse arrependido de calçar as sapatilhas e sair para a rua. Seja com um calor de abafar, seja com chuva a potes, seja com frio gelado, com dores de burro pelo meio e até canelites (Deus as tenha em bom descanso), no fim, o retorno é sempre maior. O prazer de te superares a ti próprio compensa tudo (sim, até mesmo as dores de burro). É por isso que gosto tanto de correr. E agora, agora é pensar na próxima.



domingo, 6 de novembro de 2016

"O que não te desafia não te muda"


Só tinha feito um trail na vida e apesar dos 17 quilómetros era pouco técnico e tinha muita área plana. Habituada apenas a estrada ainda consegui fazer três treinos no mato antes da prova para não ir completamente às escuras e a coisa fez-se. Resumindo: a minha experiência em trail não sendo zero, é 0,1.

Posto isto, a minha primeira reacção ao convite para participar num xtrail de 12 quilómetros, com 600 metros de acumulado (seis-cen-tos!!), onde alertavam para um percurso baseado em dureza foi um redondo NÃO. Aliás, a minha reacção a tudo o que mete sair da zona de conforto é sempre a mesma: não, não e NÃO.

Não por achar que não tenho capacidades, mas por ter noção que não treino para enfrentar algo assim tão exigente e tão técnico. Para além de ser uma principiante, não corria há um mês, pelo que tinha noção que se fosse o mais provável seria parar a meio, cruzar os braços e bater o pé no chão até que me viessem buscar de carro, de mota, de carroça, de parapente, tuuuudo menos dar mais um passo. Mas fui. Porque apesar de entrar sempre em negação, facilmente sou convencida. O "bichinho" pegou, nada a fazer.

Fui mentalizada para o pior, mas, senhores, eu estava loooooonge de saber o que era o pior. Depressa percebi que esperavam-me 12 quilómetros duríssimos, os piores de todo o sempre, com as subidas e descidas maiores e mais acentuadas que alguma vez vi. Eram muito poucas as zonas do percurso em que dava para correr, de tão acidentado que era. Vocês não estão bem a ver o filme. Era assustador de ver, quanto mais de fazer. Sempre que tirava os olhos do chão, olhava em frente e via que a subida mal ia a meio...BAAAAHHHHHH tirem-me daaaaquiiiiiiiiiiiii!! A sério, senti-me à beira de falecer umas vinte e sete vezes. Quando chamavam por mim "aaaaanda Bruna" eu só resmungava "eu não vim aqui para partir a cremalheira tooooodaaaa". Sim, para além de ir a resmungar o percurso todo também ia a rezar para chegar ao fim com os dentinhos todos. Estava sujeita, para além de não ter prática, as sapatilhas não eram as mais apropriadas. Escorreguei umas três ou quatro vezes e uma delas fui mesmo com o rabo ao chão e melhor, espetei com a mão esquerda nas silvas. Que espectáculo, hã!

Foi uma experiência de quase morte, foi o que foi. Estava derretida de tanto subir, subir, subir, e como quem sobe também desce, também estava moída de descer, descer e descer, e fartinha de pedras e pedragulhos, fartinha de galhos, ai, sinto suores só de lembrar. Doía-me tudo, especialmente os tornozelos, e até câimbras tive já no fim.

Terminar foi como encontrar uma Coca-Cola no deserto. Já sabia que era o "carro-vassoura", mas quando reparei no tempo que levei para fazer 12 quilómetros (2h30) pensei "és uma miséria Bruna Filipa". Mas depois pensei melhor. Mesmo consciente das minhas limitações e alertada para a dureza do percurso, eu fui. Tive a coragem de ir e mesmo com oportunidade de fazer corta-mato não o fiz. Comecei tinha de acabar. Independentemente de tempos de prova, acho que vale muito mais a atitude, a motivação e a força de vontade. Podia ter ficado em casa e até tinha mil e uma coisas para fazer ou até podia não fazer nada e ficar a vegetar no sofá, mas não, lancei-me às "feras". E apesar do meu humor de ratazana ao longo do percurso, valeu a experiência e fico grata por mais um desafio.

Outra sova destas? Sim, mas devidamente treinada e calçada. :D

terça-feira, 11 de outubro de 2016

TRAIL, a minha primeira experiência


No passado domingo cumpri mais um objectivo e realizei a minha primeira prova de trail. Quando comecei a partilhar o meu gosto pelas corridas aqui no blog e mesmo em conversa com amigos, ouvia sempre "tens de experimentar trail, é muito mais giro, vais ver que vais adorar" e blábláblá Whiskas saquetas.
Acontece que depois da Meia Maratona em Abril nunca mais lhe dei a sério nas corridas. Meteram-se as mudanças, meteram-se outras prioridades e as corridas ficaram quase como banho-maria. Já com a vida mais organizada retomei, mas muito soft, uma vez que o meu principal objectivo do momento não combina muito com corrida. Mas uma vez por semana tem de ser, só para matar o "bichinho".

Nos entretantos, aparece a minha irmã com uma história de "ah e tal trail escutista e tens de ir e anda lá e não sejas "cortes"" e rebebebeu pardais ao ninho (sim, tenho uma irmã escuteira e muito chata).
Ora, sendo eu mais de estrada, com zero experiência em trail e com consciência de que são coisas diferentes, a minha primeira reacção ao convite foi "nem pensar". Mas lá me convenceram (fácil, eu?).

Nas ultimas duas semanas consegui companhia para treinar percurso de trail e só posso agradecer por isso. Deu para não ir "às escuras" e para ganhar gosto por algo diferente e mais exigente a que estava habituada. Chegado o dia e porque a vida prega partidas, o espírito/vontade não era o/a melhor, ponderei não ir, mas lá fui, afinal, não podia deixar ficar mal quem tanto me incentivou e deu força para participar. Com a "cabeça longe" tentei não me distrair muito no tempo e consegui um 13° lugar no meu escalão (de 22) e um 101° no geral (de 140). Não foi brilhante, mas valeu muito pelo esforço, pelo companheirismo e pelo espírito de entreajuda o qual agradeço bastante. E se formos a ver, a superação vale bem mais que os resultados.

Foi a minha segunda prova, a minha segunda maior distância percorrida (nem nos treinos para a Meia Maratona corri tanto) e é o meu segundo dorsal que vou guardar com todo o carinho e com todo o significado que tem.

Realmente, tinham razão, adorei a experiência e acho um máximo correr no meio do mato, por entre árvores e pinheiros, saltar valas de água e zonas de lama, agarrar-me aos ramos nas descidas mais complicadas ou descer a todo o gás nas mais simples. Enfim, respira-se natureza e apesar de requerer outro tipo de esforço, também parece dar um fôlego maior.

Correr para mim tem sido uma surpresa. Primeiro, porque odiava - odiava aquelas dores de burro infernais, odiava correr três quilómetros e já ir de língua a arrastar pelo chão, odiava as piiiiii das canelites, odiava sentir-me a arrastar o rabo nas subidas do demo, odiava TUDO -, segundo, porque pensava para comigo que raio de objectivo mais estúpido tem uma pessoa que sai de casa para correr por aí ao deus-dará com tanta coisa mais interessante e reconfortante para fazer.
Mas com a corrida aprendi que o impossível pode tornar-se possível. Aprendi a superar medos (no caso do trail, vou sempre com medo de encontrar uma cobra à frente ou esmagar um rato morto [sim, sou um bocado mórbida] e na prova em si, tinha receio de perder-me sozinha no meio do mato). Aprendi que apesar de todo o esforço, o prazer da satisfação final compensa tudo. Aprendi que ao passar a meta esquecemos todo o sofrimento anterior bem como todas as caralhadas mentalmente proferidas. Aprendi que o ser capaz de sair da nossa zona de conforto bem como a nossa persistência deixa-nos felizes e orgulhosas de nós mesmas. Aprendi que correr é viciante, talvez por ser um exercício de força de vontade e de superação de dificuldades que faz-nos querer ir mais além. Porque se fomos capazes de chegar até aqui, de certeza que somos capazes de muito mais. Depois, correr também é amizade, solidariedade e espírito de entreajuda. Posto isto, como não gostar?


P.S.: Vocês não sabem, mas aquele moço ali de rabicho (=P) já tinha acabado a prova há uns 40 minutos (ficou em 15º no geral), fez bem as contas, foi ao meu encontro (com algum pessoal a gritar "não, não, é ao contrário", ahahah) e acompanhou-me nos meus dois últimos quilómetros. Quem tem amigos assim, tem tudo. =))


terça-feira, 10 de maio de 2016

Bater recordes


A Meia Maratona foi há duas semanas e há duas semanas que não corria. Hoje foi o dia. Não sei se foi do efeito ressaca, se do medo de apanhar uma valente molha no lombo, se de estar com as putas das cólicas entaladas, mas para além de ter corrido mais do que tinha pensado para este regresso, consegui fazê-lo ao meu melhor ritmo de todo o sempre: 5:38 min/km. Sei que não é nada de brilhante e que há aí desse lado, com toda a certeza, muitos "Pepe Rápido" que fazem muiiiiito melhor, mas foi o melhor que consegui fazer, foi mais um passo em frente, foi o superar-me mais um bocadinho, foi o vencer-me a mim própria e isso por si só já é a coisa mais espectacular de sempre.

Confesso que fiz-me à estrada sem grandes expectativas. Duas semanas parada depois de uma prova longa podia deitar por terra boa parte de todo o trabalho feito até então. Depois, o facto de ter sentido uma ligeira dor nas canelas nas duas vezes que fui ao ginásio e corri dez minutos na passadeira só para aquecer, fez-me temer o pior. Mas não, corri como se nada fosse, como se tivesse andado a treinar regularmente e senti-me a lebre cá do sitio. Como não ficar feliz (e parva)? :D

E só para manter esta motivação toda bem lá em cima o que é que vem meeeeeesmo a calhar? Roupinha giiiiira! Ah pois éééé, que isto de sair de casa alegremente para correr (ainda para mais com chuva) precisa sempre de uma boa dose de motivação extra, que não passa por vestir a mesma roupa que já se usou 127 vezes. A Sport Zone que mi aguuuuardji.




(Para saberem preços e outros detalhes sobre as peças acima, basta clicar em cada uma delas.)


segunda-feira, 2 de maio de 2016

Os meus primeiros 21 kms

Eu, nervosa/ansiosa, mas feliz da vida antes de arrancar.

Faz hoje uma semana que eu estava nas minhas sete quintas. O meu corpo pesava toneladas, mas a minha alma estava leve como uma pena. Sentia-me parva de tão feliz. Para quem está de fora e liga zero às corridas, imagino que pense qualquer coisa como "esta gaja deve estar é parva de todo, mas que merda de importância tem uma corridinha, até parece que é única a conseguir esse tremendo feito desportivo, fica feliz com muito pouco, esta pobre rapariga". Neste sentido, convém salientar que este post é para quem me entende. Para quem já viveu e/ou vive a mesma experiência. Para quem vê a grandeza nas pequenas coisas da vida e para quem vê a felicidade na superação e nas mais simples conquistas pessoais.

Centro de Congressos, local da partida/chegada.

Ora bem, recuando no tempo posso dizer que mal acordei comecei com os nervos. Mentira. Deitei-me no dia anterior já com os nervos. Bem, se é para sermos sinceras, acho que andei a semana inteira em nervos pegados. Era a primeira prova (e logo 21 kms!!), era complemente principiante, não tinha treinado o que devia, nos treinos nunca fui além dos 15 kms, tinha medo que me empurrassem, tinha medo de não conseguir chegar ao fim, tinha medo que o ligamento do tornozelo ressentisse, estava aflita com o calor que ia estar e com a possibilidade de vento. Bem, estava numa PILHA!! Era todo um mundo novo para mim e acho que não me sentia assim tão nervosa desde os exames nacionais ou até mesmo desde os espectáculos de ballet. É que nem no dia do casamento estava assim (se calhar fez-me falta um victan).

Os meus companheiros de treino.

No entanto, apesar dos nervos e do calor terrível mesmo a puxar ao desmaio, sentia-me a correr como nunca senti. Sempre que dava conta do ritmo a que ia (5:20), abrandava com receio de cansar-me mais cedo, mas quando voltava a ver já ia eu toda lançada de novo. Não sei se era pelo ambiente em si, se por estar a correr juntamente com nnnn pessoas, se pelo percurso, se por ter conseguido estar ali apesar da lesão a meio dos treinos (embora tenha roubado muiiiita preparação), se pelo apoio, se pelo próprio desafio em si, mas sentia-me com força para dar e vender. Fiz os meus 10 kms mais rápidos (abaixo de 1h) e começava a acreditar que era bem capaz de despachar a prova em duas horas. Mal sabia eu que o pior estava para vir, infelizmente.

terça-feira, 26 de abril de 2016

I'm alive


Sentimento inigualável.
Mostrar a mim mesma que posso e sou capaz, apesar das adversidades.
SO PROUD.


P.S.: Fica um breve registo só para não ficarem na dúvida se ainda vou a meio do caminho ou se fiquei a boiar na ria. :D

domingo, 24 de abril de 2016

O valor do esforço

Lembro-me que quando comecei a correr perguntava-me a mim própria, quase de metro em metro, que raio me passou pela cabeça para ter decido fazer-me à estrada naquele dia. Podia estar tão bem no sossego da minha casa e não, estava aqui prestes a sofrer uma paragem cardíaca. Foi assim durante muito tempo, porque o inicio é assim mesmo: custa, dói, é horrível, é a sede, é a boca seca, é a dor de burro, são as pernas que pesam toneladas, é o coração quase a sair pela boca, bem, é uma experiência de quase morte é o que é. Ainda hoje assim é, porque depois de chegarmos a um patamar queremos chegar ao próximo e depois ao próximo do próximo e sempre assim.

"Mas se isto é assim tão mau, o que te fez continuar?" é o que vocês devem estar a perguntar. Simples: o desafio e a força de vontade. Porque o que não te desafia não te muda e a vontade sempre foi mais forte do que a de desistir. Depois, apesar de todo o sofrimento há o outro lado: um prazer inigualável e compensador de todo o esforço feito. É no fim da corrida que sinto o prazer da endorfina ao rubro. Basicamente, sinto-em capaz de tudo. Saber que venci a preguiça, que fui capaz de ir buscar forças sabe-se lá onde, que ultrapassei as desculpas, que demonstrei a mim mesma que posso é, simplesmente, sensacional. É o ser capaz de sair da nossa de conforto. É o valor do esforço que não tem preço.

Muitos gostam de intitular o running como sendo só mais uma moda, e que agora todos decidiram correr, e que o assunto já enjoa e tendem a desvalorizar quem faz por ser melhor. Até pode ser uma moda, mas vai muito, mas muito mais além do que isso e enquanto não o perceberem, nunca vão entender o entusiasmo que nos move. Ninguém tem de reconhecer o nosso esforço, nem dar os parabéns por sermos pessoas mais activas e por optarmos por um estilo de vida mais saudável. Mas também não têm de retirar-nos o mérito.

Amanhã é a minha primeira prova, uma Meia-Maratona. Para quem corre nem há um ano, é um objectivo muito ambicioso (bastante até), mas foi a minha motivação para sair de casa e enfrentar a chuva, o frio, as subidas do inferno e o tal sofrimento associado à superação de quem corre. Não posso dizer que estou preparada a 100%, as três semanas parada roubaram-me muito treino (provavelmente o que me falta para sentir-me mais segura), mas vou na fé. Não queria perder, nem por nada, aquela que é a primeira Meia Maratona realizada na cidade de Aveiro. Também porque agora é o momento para meter-me nestas coisas, logo, o pensamento foi do tipo "ou é agora ou nunca".
Sinto aquele nervoso miudinho, depois é a chamada crise de principiante: e se me passam uma rasteira? (traumas dos corta-matos da escola), e se sou atropelada por um atleta em fúria logo no arranque?, e se o percurso não está bem identificado?, e se saio de rota?, e o gel?, sim ou não?, e a água?, e o calor?, ai que vou desidratar, ai o veeeento!! Enfim, vocês já sabem que eu sou sempre aquela pessoa à beira de um ataque de nervos.

A verdade, é que tenho mais receio das condicionantes externas do que propriamente da minha pessoa. Sofro muito com a sede e parece que amanhã o calor vai apertar. Depois, o vento! Aveiro está para o vento como o macaco está para a banana e correr contra o vento...Deuuuuuus m'acuda!!
Isto tudo para dizer que vou a contar com o pior. Às vezes, é quando corre melhor. Vamos ver. Torçam por mim. =)


P.S.: Caso não dê sinais de vida nas próximas 24h, preparem os kleenex, faleci à beira ria.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Drama é não poder

Quantas e quantas vezes arranjamos desculpas para não fazer isto ou aquilo? Quantas e quantas vezes não nos apetece fazer certa e determinada coisa, mas fazemos, mas sempre a maldizer e a refilar e a praguejar e tudo e tudo e tudo? Tantos dramas que por vezes fazemos, quando o maior drama é mesmo não poder.

Sei que não parti uma perna, sei bem que há problemas bem maiores (como nunca mais voltar a andar, por exemplo), mas, por muito pequena ou grande que seja, esta lesão foi o suficiente para impedir-me de fazer uma das coisas que mais gosto e que mais me mantém viva: desporto, neste caso, correr e ir ao ginásio.

O treinador Pedro Almeida no seu livro "Correr para Emagrecer" fala a certa altura dos "donos do movimento" (seja para correr, jogar futebol, andar de bicicleta, etc). E, segundo ele, o grande problema destes tais "donos do movimento" é parar, precisamente. Eu confirmo. Nestes dias, sentia-me mais sem paciência, mais chateada, mais irritadiça, ansiosa, tristonha e até mesmo sem energia. Foi um autêntico estado de ressaca/ratazana-do-esgoto-deprimida.

Há um certo vicio aliado ao prazer de correr nos ditos "donos do movimento". Penso que não é fácil chegar a este patamar, mas quando se chega, ahhhhhh menino, não se quer outra coisa!
Esta espécie (os "donos do movimento") faz desporto porque quer, porque apetece, porque se gosta, não apenas porque dizem que faz bem ou que estamos umas baleias em desenvolvimento.

Sermos activos torna-se um dos grandes prazeres da vida e há uma necessidade enorme de nos desafiarmos física e mentalmente para sermos melhores, algo que acaba por se reflectir na batalha da vida.

Todo este blábláblá para dizer que a corrida de hoje soube-me pela vida. Acho que nunca desejei tanto pôr as sapatilhas nos pés e sair para a rua, mesmo debaixo de chuva. Sim, porque o Sr. S. Pedro - que anda todo comido daquela cabeça e ora é sol, ora é chuva, ora é vento, é o que lhe der na real gana - achou por bem guardar chuva torrencial acompanhada de ventania, precisamente, para o final do dia. Mas não foi o suficiente para me fazer fraquejar. Aliás, hoje bem podiam chover picaretas que eu ia para a rua na mesma (quando uma mulher mete uma coisa na cabeça...).

Foram apenas quase 5 kms para testar o pé, que portou-se lindamente o que me deixou feliz da vida. Também fiquei super contente ao ver que não perdi o ritmo que já tinha conquistado! =)) Agora, é retomar aos pouquinhos.


P.S.: Pegasus estreadas e aprovadas. Um must, minha gente! Não mereciam nada uma estreia como esta, bemmmmm molhada, mas pronto, estão baptizadas! :D



segunda-feira, 14 de março de 2016

Running Shoes | Agora é que vai ser arrancar alcatrão


Isto das sapatilhas de corrida não parece, mas tem muito que se lhe diga. Serem mega giras não chega e é preciso ter em conta uma data de factores na hora de investir, nomeadamente: marca, modelo, tipo de passada, peso (quanto maior o peso, maior capacidade de amortecimento devem ter as sapatilhas), ritmo, terreno (em terra batida, maior tração na sola, em estrada, maior amortecimento), amortização (intimamente relacionada com o peso e o terreno), durabilidade, preço, etc, etc.
A oferta é mais que muita, mas é muito importante que saibamos escolher tendo em conta as nossas necessidades, tudo de maneira a evitar indesejáveis lesões futuras nos joelhos, tornozelos ou até mesmo na coluna.

Nisto, e para quem quer levar as corridas mais a sério, fazer o teste da passada é fundamental. Este teste permite definir qual a sapatilha mais adequada tendo em conta a forma como assentamos o pé no chão evitando, assim, as tais lesões.
Tendo em conta as características anatómicas, cada pessoa pisa o chão de uma determinada forma, sendo possível identificar três tipos de passada diferentes: a neutra - o impacto é mais uniforme (o desgaste da sapatilha também) havendo mais estabilidade e maior equilíbrio nas forças de pressão das articulações -, a pronadora (comum nas pessoas com o "pé chato") - ao apoiar o pé tende a inclinar-se para dentro (mais desgaste na parte interna da sapatilha) - e a supinadora - no apoio o pé tende a inclinar para fora (a sapatilha desgasta-se mais na parte externa).

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Mais uma rumo aos 21


"The body achieves what the mind believes".


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Muito mais do que uma "moda"

Isto das corridas é mesmo viciante e é muito mais do que uma "moda" como muitos apregoam (por norma, aqueles que arranjam mil e uma desculpas para não mexer o rabo). É algo que vem de dentro e que nos move inconscientemente. Já dou por mim a sair de casa para ir correr com uma chuva do caneco, sem qualquer hesitação, como aconteceu neste sábado passado, por exemplo. Quer dizer, ao final de um quilometro a levar com chuva forte no lombo ainda fiquei naquela do "vou-não vou" para casa, mas depois pensei "mas é uma mulher ou és um ratazana do esgoto?" e lá continuei. A verdade é que a chuva acabou por acalmar e cheguei ao fim radiante da vida ao dar conta que o meu ritmo médio tinha baixado e consegui o tão ansiado objectivo de ficar abaixo dos seis minutos por quilometro. Estava tão feliz da vida que até deixei de sentir o cansaço e a roupa molhada na pele.


Porque a sensação de chegar ao fim de uma corrida é assim mesmo: indescritível. Não pelo momento em si, mas por todo o processo até lá. O treino, o esforço, a dedicação, o que deixei de fazer para cumprir algo que não me leva a ganhar nenhum prémio a não ser o interior (o mais importante, talvez). O facto de estipular objectivos pessoais e lutar por eles. Não há melhor recompensa do que dizer "eu consegui" ou "eu cheguei lá". E a sensação de leveza e de liberdade? Óptima.

É a motivação que nos faz começar, mas são os resultados que nos dão força para continuar. E esses começam a saltar à vista. Claro que fazer exercício por si só não chega (eu sou bom exemplo disso). Comer bem é fun-da-men-tal. Desde que aliei este meu estilo de vida activo a uma alimentação mais saudável que noto diferença não só no corpo, mas a um nível geral. Coincidência ou não, nunca mais tive canelites que tanto me atormentavam durante as corridas e sinto-me com bem mais energia. Depois, é aquela sensação de alma leve e bem-estar enoooorme que revitaliza corpo e mente. Não sei, se calhar a culpa é da endorfina.

Li uma frase no livro "Correr para Emagrecer" do Pedro Almeida que me deixou a pensar de tão verdade que é: "somos o nosso pior inimigo". É a mais pura das verdades. O nosso corpo faz o que a mente obedece. A distância entre fazer ou não fazer, entre dar o passo ou não, somos nós. É a vontade que move o mundo e a vontade parte de nós mesmos. Não quero com isto dizer que agora toda a gente tem obrigação de andar aí a correr desalmadamente como se não houvesse mais nada para fazer na vida. Mas é nossa obrigação fazermos por sermos mais saudáveis. E uma vida saudável implica sempre ter uma vida activa. E uma vida activa implica comer melhor. Está tudo interligado e mais do que ter um corpo bonito, o importante é ter um corpo saudável.

Há mil e uma formas de mantermos o nosso corpo em movimento e de fazer o sangue correr nas veias, mas menciono a corrida por ser a actividade mais acessível de todas, para além de não implicar quaisquer gastos mensais. Só precisamos de vontade e de umas sapatilhas, o resto são desculpas. Isto, vindo de quem sempre adorou desporto, mas via na corrida o diabo, faz pensar. E a pergunta é: estás à espera de quê?

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Os primeiros 10 kms da minha vida

Até parece mentira, mas ontem consegui a proeza de correr dez quilómetros, qual feito desportivo. Assim à primeira vista pode parecer insignificante para quem come maratonas ao pequeno-almoço, mas para mim foi uma grande vitória. Nunca na minha vida me passou pela cabeça que um dia ia dar-me para isto e, melhor, que ia conseguir. Mais depressa as galinhas ganhavam dentes.

Sempre gostei muito de desporto, a certa altura pensei mesmo em fazer disso vida, mas a corrida sempre foi o meu calcanhar de Aquiles. Porque dói nas pernas, porque dá dor de burro, porque o rabo pesa, porque quase vomito um pulmão, porque...é uma canseira dos diabos. Mas a verdade é que só custa começar e eu sou teimosa o suficiente para "se os outros conseguem, eu também tenho de conseguir".

Foi no mês de Maio que me decidi aventurar nestas andanças mesmo a valer. Não deu para ganhar ritmo porque, nos entretantos, comecei a entregar os convites para o casório, pelo que não houve tempo para estas coisas. Junho idem. Só no mês passado é que a "coisa" começou mais a sério. Consegui correr pelo menos duas vezes por semana e já sinto uma boa evolução. Depois da aula de pump ou jump, corria três, quatro ou cinco (muito raramente) quilómetros, mas nada mais que isso. Foi só na semana passada que comecei a sentir-me com fôlego para ir mais além. Na quarta corri cinco quilómetros e sentia-me com pernas para mais. Na quinta, e mesmo depois de uma puxada aula de jump, estreei-me nos oito quilómetros. Aguentei-me bem, mas, desta vez, senti-me mesmo no limite dos limites (quase à beira de um piripaque). No entanto, muito contente por ter batido o meu record e ter aguentado sem parar, mesmo com um quilómetro de subida intensa pelo meio, e depois de ter massacrado as pernas na aula de jump. E ontem... Ontem foram DEZ (palminhas para mim, faxabori)! Os primeiros da minha vida. É uma satisfação enorme! Os últimos dois quilómetros já os fiz de língua a arrastar pelo chão, mas fiz. Hoje, menos de dez é derrota.

A verdade, é que esta teimosia transformou-se num vicio, no meu mais recente pequeno prazer. É aquela vontade de superar objectivos, querer ir sempre mais além e sentir que o corpo corresponde. Não deixo de maldizer de tudo e de todos pelo caminho, mas já sinto que preciso disto. E aquela sensação indescritível que se sente no final? É só das melhores coisas (mesmo depois de proferir tantas e tantas car*lhadas mentais). Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, mas ainda estou bem longe de ser daquelas que acorda de madrugada para fazer a sua corridinha antes de ir para o trabalho. Lamento, mas de manhã quem me dá mais um segundo de cama dá-me tudo.

Ter companhia ajuda muito e se estiverem num nível mais acima ainda melhor, porque puxa mais por nós e obriga-nos a não desistir à primeira dor de lado ou sensação de pernas pesadas (és capaz de ir a espetar-lhes com uma grande seca porque não vão a um ritmo mais acelarado por pena de te deixar para trás, mas são pequenos pormenores). Beber muita água é fundamental. Não sei se se lembram da minha dificuldade em beber água em condições e da minha promessa de começar a fazê-lo, mas... A verdade é que continuava a não passar muito da meia litrada, isto, até começar nas corridas. Quando corria sentia sempre a boca super seca, o que é bastante desconfortável e meio caminho andado para desistir a meio da corrida. Foi desta que obriguei-me a beber mais água (fi-nal-men-te) e faz toda a diferença.

Gostava de não perder o ritmo, mas é o mais provável. Os meus companheiros de corrida vão de férias e a motivação para sair de casa e correr sozinha não é (de loooooooonge) a mesma. Para além disso, é mais difícil manter-me fora da zona de conforto e ser mais forte que o meu rabo pesado. Mas vou fazer um esforçozinho para continuar nas corridas até ao final deste mês, já que em Setembro, por mais que queira, não vou estar para aí virada. Depois...depois, só em Outubro, altura em que estarei de volta à estaca zero com muita pena minha. Mas tal como disse, só custa começar. Ahhhhhhhh mas depois vem o frio e a chuva, não é? Pois, se calhar as corridas estão mesmo com os dias contados. Think so.

#justdoit

24-09-2013 15-51-22