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sábado, 19 de janeiro de 2019

Vouga Trail


Eram sete da manhã e o despertador tocava. Estava quentinha, tinha o Pepe ao fundo da cama e ouvia a chuva a bater forte na janela do quarto. Tinha o meu livro "A Sombra do Vento" a cem páginas do fim mesmo ao meu lado na mesinha de cabeceira. Estavam reunidas todas as condições para dar parte de fraca e desistir do trail. Mas lá fui eu, a maldizer a minha vida, a perguntar porque me inscrevi e porque raio dou ouvidos a gente mais tolinha do que eu, mas fui.

Já na meta, tive a certeza que, de facto, inscrever-me neste trail não foi de todo a ideia mais iluminada de sempre. Não que ainda tivesse dúvidas, mas uma coisa é imaginar ai vai estar tanto frio, ai que vou levar com chuva da grossa, ai que as articulações nem vão aquecer e vou torcer um pé, ai que vou escorregar na lama e partir-me toda, outra é começar a sentir mesmo no corpo. Choveu o percurso tooooodo, ora mais miudinha ora mais forte, foram dezasseis quilómetros debaixo de chuva. 

Mas está feito. E agora que estou aqui, bem mais quentinha, completamente enrolada até ao pescoço na manta no conforto do sofá, penso e, apesar de toda a resmunguice e ratazanice aguda, não me arrependo nada de ter ido. Foi uma prova de muita força mental e no fim quase entrei em hipotermia, mas é mais uma experiência que levo comigo. O percurso é muito bonito, passámos pela Cascata da Cabreira, por exemplo, e por outros lugares igualmente bonitos que se não fosse este trail, provavelmente nunca iria conhecer. Depois, é aquele sabor bom da superação, de quem sai da zona de conforto. De qualquer forma, DUUUUUUVIDO que alguma vez me apanhem novamente num trail em pleno dia de Inverno. Frio? Ainda vá que não vá, mas chuva?? CREDO, senhores, CREDO!!

terça-feira, 15 de maio de 2018

Trilhos Luso Bussaco


desta feita, devidamente calçada!

O terceiro trail do ano e o mesmo sentimento de sempre: chegar ao fim e pensar "já está", "consegui", "venha o próximo". Aquele misto de desafio/superação que enche a alma e faz desejar por mais. O trail é isto. Mas também é ter de lutar contra o corpo e saber usar a cabeça nessa luta. É ter de ser mais forte a todos os níveis. É "c@&#% que a subida nunca mais acaba", "fdx, mais uma subida", "não aguento", "tirem-me daqui", "é desta que vou aos trambolhões até lá baixo", "nunca mais me meto nisto", "socorro", mas depois chegamos à meta e o "milagre" acontece. As dificuldades transformam-se em orgulho e os queixumes em sorrisos.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Aquela sensação de tiro no escuro

Foto: google
e não saber se vou odiar andar em cima de pitons!!

Depois do II Trail Escutista, do trail no Alfusqueiro, do trail da LAAC, do Bela Bela e de corridinhas várias por entre asfalto, montes e vales, assassinei por completo as minhas Pegasus!! Agora, nem de estrada nem de trail (fuuuuuck)!!

Já estava mesmo a ver o filme. Correr com sapatilhas de estrada em zonas escarpadas foi o mesmo que assinar a sua certidão de óbito. Das sapatilhas e de mim própria, já agora, visto ser um perigo correr em determinadas zonas sem calçado adequado, neste caso, com boa aderência. Ainda assim, não me deixaram ficar assim tão mal. Tirando duas ou três escorregadelas (principalmente neste último trail) e ter ficado com algumas dores nas articulações no fim do trail do Alfusqueiro, não me posso queixar do seu desempenho, no entanto, já deram o que tinham a dar.

Nas últimas corridas que fiz depois da última prova (o Bela Bela no inicio de Abril), em estrada e distância curta, senti sempre um desconforto enorme na zona das canelas ao longo de toda a corrida. Automaticamente, a minha carteira também ficou com uma dor aguda porque era o sinal: "tens mesmo de investir numas sapatilhas novas, Bruna Filipa!!"

Deixei andar mas agora não há como fugir, a menos que queira continuar a correr com cara de quem está aflitinha para ir à casa de banho. E o pior é que em vez de umas, tenho de comprar DUAS sapatilhas!! Ninguém merece. Mas vá, para já a prioridade são mesmo as sapatilhas de trail até porque tenho uma nova prova já este domingo - Trilhos Luso Bussaco e diz que logo de inicio é sempre a subir até à Cruz Alta (4/5 kms coisa pouca).

O que me está aqui deixar com palpitações é que se não é fácil escolher sapatilhas de estrada, escolher uma sapatilha de trail consegue ser ainda pior. Nas sapatilhas de estrada o foco principal da escolha são o amortecimento uma vez que as condições do piso são sempre as mesmas. Nas de trail, além da questão do amortecimento também é muito importante ter em conta outros factores como a sola/piso. E isto está a consumir-me de nervos!!! Senão vejamos: o calçado mais adequado depende do tipo de trilho a correr - mais técnico, menos técnico, zonas mais escarpadas ou trajectos pouco acidentados, mais ou menos lama -, pelo que a sola pode ser mais grossa, menos grossa, ter pitons altos ou mais baixos, depois é o peso da sapatilha e pardais ao ninho. E eu pergunto: querem que a malta compre umas sapatilhas para o Bela Bela, outras para o Caima, outras para os Abutres, outras para o Paleozóico, umas de Inverno, outras de Verão, outras de Outono e que a seguir venda o carro, a casa e o gato?!

terça-feira, 10 de abril de 2018

Trail Bela Bela 2018


para o ano há mais

É verdade que sou uma novata nestas andanças e há, certamente, outros tantos trails com percursos super giros ao nível de paisagem e meio envolvente (tipo o MIUT, uma cena assim mais à frente), mas, NÃO M'ENERVEM e com licença: Belazaima do Chão (freguesia do concelho de Águeda, não vão vocês andar meios perdidos no mapa) tem dos trilhos mais bonitos, e tenho dito.

Dureza e cãimbras à parte (já lá vamos), foram 17 kms muito gratificantes devido a toda a envolvente, às paisagens, à descoberta, a pequenos grandes pormenores e ao esforço notório por parte da organização em criar um percurso bastante interessante. Cada quilómetro era percorrido com o entusiasmo de querer saber "o que virá a seguir".


O meu primeiro "txiiiii ca cena brutal!!" foi quando dei de caras com 50 metros (nem tanto, vá) de túnel com água quase pelo joelho, com um pequeno fio de luz LED no topo para não irmos totalmente às escuras. Felizmente, não sou claustrofóbica nem me ocorreram pensamentos do demo tipo a possibilidade de haver ratazanas flutuantes. A parte de subir a cascata também foi espectacular (apesar do cuidado que exigia para não ir com a cremalheira ao chão, por exemplo). Isso e os cartazes simpáticos e bastante sugestivos que íamos apanhando pelo meio.
Chegar ao topo, no Cabeço Santo, ver todo o horizonte e contemplar toda aquela paisagem também foi incrível (principalmente, por termos a real noção do quanto subimos). Dá para renovar energias e quase que esquecemos todas as caralhadas proferidas mentalmente ao longo da subida e que segundos antes estávamos à beira de vomitar um pulmão. E as passagens em pleno leito do rio? Não, senhores, não estava seco, tinha muiiiiita água a correr!! A primeira vez teve a sua piada, mas confesso que as seguintes passagens que implicavam ir na água mexeram-me com os nervos. Odeio a sensação de não saber onde estou a meter os pés e com a corrente da água era praticamente impossível ver o que quer que fosse. Foi o verdadeiro "seja o que Deus quiser". Já para não falar no desconforto que era retomar a corrida em terreno seco, uma vez que mal sentia os pés de tão gelados.

sábado, 7 de abril de 2018

Correr no meio do mato

2º Laac Trail - 25 de Março de 2018
Atravessar rios e riachos de água lamacenta, trepar montes e montes de terra, cordas, pontes improvisadas (e duvidosas), subidas de proferir caralhadas até lá cima e mais além, descidas de temer ficar sem dentes, saltitar por entre pedras, pedregulhos, galhos e cenas assim. Não ter medo de sujar a roupa nem nojo de ir com as mãozinhas de princesa à terra e de enfiar os pés na lama (e sabe-se lá onde). Companheirismo, muito companheirismo. Espírito de ajuda. Chegar ao fim e radiante da vida, mesmo com arranhões nas pernas e nos braços, possíveis pisaduras e com uma segunda camada de pele chamada pó/terra. Assim é correr no meio da natureza.

Na altura que comecei com isto das corridas e o bichinho acabou por ficar, sempre me disseram que trail não tinha nada a ver com as corridas em estrada: "correr no mato é qué fixe", "tens é de experimentar ir para o meio do mato", "opaaaaa quando é que vens correr para o mato?!!". Confirmo. É, sem sombras de dúvidas, muito mais giro e desafiante. E claro, muito mais duro também. Mas como diz a "outra": "o que não te desafia, não te transforma".

Conto apenas com quatro provas (e um xtrail onde quase faleci [rever aqui o meu atestado de quase-óbito]), sendo que o trail dos trails, o mais desafiante, técnico e exigente, foi o do Alfusqueiro em Julho do ano passado. Foram 18,5 kms de muita dureza, sendo que os primeiros 5 kms (sim, CINCO) foram sempre a subir com direito a escalada de rochas. E o calor? Deusmalivremacuda. Já para não falar nos últimos dois quilómetros (sempre a descer) que foram horríveis de tantas dores no joelho e nos tornozelos (fruto de sapatilhas inadequadas e possível falta de magnésio). E o cúmulo? Ter uma cãimbra mesmo a chegar à meta. No fim, o prazer da superação e a experiência em si aligeiram qualquer dor. É muito gratificante e passei por zonas que jamais conheceria se não fosse a prova. É outra das coisas boas dos trails.

E amanhã há mais. Desta feita, pelos trilhos de Belazaima, uma prova que em muito se assemelha à do Alfusqueiro, pelo menos ao nível técnico e de exigência. A malha está garantida, mas o desfrutar de paisagens deslumbrantes também. E o cúmulo? Continuar com sapatilhas inadequadas.


domingo, 6 de novembro de 2016

"O que não te desafia não te muda"


Só tinha feito um trail na vida e apesar dos 17 quilómetros era pouco técnico e tinha muita área plana. Habituada apenas a estrada ainda consegui fazer três treinos no mato antes da prova para não ir completamente às escuras e a coisa fez-se. Resumindo: a minha experiência em trail não sendo zero, é 0,1.

Posto isto, a minha primeira reacção ao convite para participar num xtrail de 12 quilómetros, com 600 metros de acumulado (seis-cen-tos!!), onde alertavam para um percurso baseado em dureza foi um redondo NÃO. Aliás, a minha reacção a tudo o que mete sair da zona de conforto é sempre a mesma: não, não e NÃO.

Não por achar que não tenho capacidades, mas por ter noção que não treino para enfrentar algo assim tão exigente e tão técnico. Para além de ser uma principiante, não corria há um mês, pelo que tinha noção que se fosse o mais provável seria parar a meio, cruzar os braços e bater o pé no chão até que me viessem buscar de carro, de mota, de carroça, de parapente, tuuuudo menos dar mais um passo. Mas fui. Porque apesar de entrar sempre em negação, facilmente sou convencida. O "bichinho" pegou, nada a fazer.

Fui mentalizada para o pior, mas, senhores, eu estava loooooonge de saber o que era o pior. Depressa percebi que esperavam-me 12 quilómetros duríssimos, os piores de todo o sempre, com as subidas e descidas maiores e mais acentuadas que alguma vez vi. Eram muito poucas as zonas do percurso em que dava para correr, de tão acidentado que era. Vocês não estão bem a ver o filme. Era assustador de ver, quanto mais de fazer. Sempre que tirava os olhos do chão, olhava em frente e via que a subida mal ia a meio...BAAAAHHHHHH tirem-me daaaaquiiiiiiiiiiiii!! A sério, senti-me à beira de falecer umas vinte e sete vezes. Quando chamavam por mim "aaaaanda Bruna" eu só resmungava "eu não vim aqui para partir a cremalheira tooooodaaaa". Sim, para além de ir a resmungar o percurso todo também ia a rezar para chegar ao fim com os dentinhos todos. Estava sujeita, para além de não ter prática, as sapatilhas não eram as mais apropriadas. Escorreguei umas três ou quatro vezes e uma delas fui mesmo com o rabo ao chão e melhor, espetei com a mão esquerda nas silvas. Que espectáculo, hã!

Foi uma experiência de quase morte, foi o que foi. Estava derretida de tanto subir, subir, subir, e como quem sobe também desce, também estava moída de descer, descer e descer, e fartinha de pedras e pedragulhos, fartinha de galhos, ai, sinto suores só de lembrar. Doía-me tudo, especialmente os tornozelos, e até câimbras tive já no fim.

Terminar foi como encontrar uma Coca-Cola no deserto. Já sabia que era o "carro-vassoura", mas quando reparei no tempo que levei para fazer 12 quilómetros (2h30) pensei "és uma miséria Bruna Filipa". Mas depois pensei melhor. Mesmo consciente das minhas limitações e alertada para a dureza do percurso, eu fui. Tive a coragem de ir e mesmo com oportunidade de fazer corta-mato não o fiz. Comecei tinha de acabar. Independentemente de tempos de prova, acho que vale muito mais a atitude, a motivação e a força de vontade. Podia ter ficado em casa e até tinha mil e uma coisas para fazer ou até podia não fazer nada e ficar a vegetar no sofá, mas não, lancei-me às "feras". E apesar do meu humor de ratazana ao longo do percurso, valeu a experiência e fico grata por mais um desafio.

Outra sova destas? Sim, mas devidamente treinada e calçada. :D

terça-feira, 11 de outubro de 2016

TRAIL, a minha primeira experiência


No passado domingo cumpri mais um objectivo e realizei a minha primeira prova de trail. Quando comecei a partilhar o meu gosto pelas corridas aqui no blog e mesmo em conversa com amigos, ouvia sempre "tens de experimentar trail, é muito mais giro, vais ver que vais adorar" e blábláblá Whiskas saquetas.
Acontece que depois da Meia Maratona em Abril nunca mais lhe dei a sério nas corridas. Meteram-se as mudanças, meteram-se outras prioridades e as corridas ficaram quase como banho-maria. Já com a vida mais organizada retomei, mas muito soft, uma vez que o meu principal objectivo do momento não combina muito com corrida. Mas uma vez por semana tem de ser, só para matar o "bichinho".

Nos entretantos, aparece a minha irmã com uma história de "ah e tal trail escutista e tens de ir e anda lá e não sejas "cortes"" e rebebebeu pardais ao ninho (sim, tenho uma irmã escuteira e muito chata).
Ora, sendo eu mais de estrada, com zero experiência em trail e com consciência de que são coisas diferentes, a minha primeira reacção ao convite foi "nem pensar". Mas lá me convenceram (fácil, eu?).

Nas ultimas duas semanas consegui companhia para treinar percurso de trail e só posso agradecer por isso. Deu para não ir "às escuras" e para ganhar gosto por algo diferente e mais exigente a que estava habituada. Chegado o dia e porque a vida prega partidas, o espírito/vontade não era o/a melhor, ponderei não ir, mas lá fui, afinal, não podia deixar ficar mal quem tanto me incentivou e deu força para participar. Com a "cabeça longe" tentei não me distrair muito no tempo e consegui um 13° lugar no meu escalão (de 22) e um 101° no geral (de 140). Não foi brilhante, mas valeu muito pelo esforço, pelo companheirismo e pelo espírito de entreajuda o qual agradeço bastante. E se formos a ver, a superação vale bem mais que os resultados.

Foi a minha segunda prova, a minha segunda maior distância percorrida (nem nos treinos para a Meia Maratona corri tanto) e é o meu segundo dorsal que vou guardar com todo o carinho e com todo o significado que tem.

Realmente, tinham razão, adorei a experiência e acho um máximo correr no meio do mato, por entre árvores e pinheiros, saltar valas de água e zonas de lama, agarrar-me aos ramos nas descidas mais complicadas ou descer a todo o gás nas mais simples. Enfim, respira-se natureza e apesar de requerer outro tipo de esforço, também parece dar um fôlego maior.

Correr para mim tem sido uma surpresa. Primeiro, porque odiava - odiava aquelas dores de burro infernais, odiava correr três quilómetros e já ir de língua a arrastar pelo chão, odiava as piiiiii das canelites, odiava sentir-me a arrastar o rabo nas subidas do demo, odiava TUDO -, segundo, porque pensava para comigo que raio de objectivo mais estúpido tem uma pessoa que sai de casa para correr por aí ao deus-dará com tanta coisa mais interessante e reconfortante para fazer.
Mas com a corrida aprendi que o impossível pode tornar-se possível. Aprendi a superar medos (no caso do trail, vou sempre com medo de encontrar uma cobra à frente ou esmagar um rato morto [sim, sou um bocado mórbida] e na prova em si, tinha receio de perder-me sozinha no meio do mato). Aprendi que apesar de todo o esforço, o prazer da satisfação final compensa tudo. Aprendi que ao passar a meta esquecemos todo o sofrimento anterior bem como todas as caralhadas mentalmente proferidas. Aprendi que o ser capaz de sair da nossa zona de conforto bem como a nossa persistência deixa-nos felizes e orgulhosas de nós mesmas. Aprendi que correr é viciante, talvez por ser um exercício de força de vontade e de superação de dificuldades que faz-nos querer ir mais além. Porque se fomos capazes de chegar até aqui, de certeza que somos capazes de muito mais. Depois, correr também é amizade, solidariedade e espírito de entreajuda. Posto isto, como não gostar?


P.S.: Vocês não sabem, mas aquele moço ali de rabicho (=P) já tinha acabado a prova há uns 40 minutos (ficou em 15º no geral), fez bem as contas, foi ao meu encontro (com algum pessoal a gritar "não, não, é ao contrário", ahahah) e acompanhou-me nos meus dois últimos quilómetros. Quem tem amigos assim, tem tudo. =))