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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Verão


Já fui daquelas que ansiava muito pela chegada do Verão. Embora tenha um carinho especial pelo Outono e os dias de chuva também tenham o seu je ne sais quois, Verão é Verão. A vitamina D faz-nos bem. Deixa-nos mais alegres, mais bem dispostas, com mais energia e de espírito leve. Não tem preço a quietude que me transmite o simples deitar na areia, fechar dos olhos e o deixar o sol entrar com o barulho das ondas do mar vindo lá do fundo. Tão pouco, tão simples, tão bom. Seicheles, Bora Bora, Maldivas e todos esses destinos maravilhosos podem não passar mesmo de um destino de sonho, de uma miragem até, mas só o simples desligar das coisas do dia-a-dia - trabalho, problemas, responsabilidades e rotinas -, não ter horários a cumprir, aquela coisa boa de ler na praia-cochilar-voltar a pegar no livro, sentir a maresia, aquele simples "parar para respirar" cada vez mais importante nesta roda vida de emoções a que estamos sujeitos diariamente já é suficientemente bom. Seja onde for.
Contam-se pelos dedos de uma mão as férias que fiz fora do país, ou assim mais "à grande", mas desde sempre ansiei pelo Verão. Mesmo sem grandes planos à vista, passava o ano inteiro, de Junho a Junho, a sonhar com a sua chegada. Hoje já não é tanto assim. Não perdi o encanto pelo Verão, longe disso, talvez tenha perdido a pressa de viver. O tempo passa tão mas tão rápido, some-se cada vez mais a toda a velocidade que já não há ânsias pela chegada de nada. Nem do Verão. Quem diz Verão, diz Natal, diz o aniversário ou qualquer outra data mais especial. O tempo perde-se, foge-nos. Maioritariamente com insignificâncias, mas também com a pressa. E pressa para quê?, pergunto eu. Viver um dia de cada vez e saber aproveitar o momento tem tanto de fundamental como de difícil. Mas aprende-se. Ironicamente, é a própria vida que acaba por nos ajudar a criar cada vez menos expectativas sobre ela mesma e aquilo que nos reserva. Despreocupamo-nos (ou tentamos, vá) e deixamos fluir. Aprendemos a viver mais devagar, a controlar ansiedades e a agradecer tudo o que temos de bom. (...)

As férias já lá vão (já disse que o tempo some-se a toda a velocidade, não já?), mas ainda é Verão. O tempo esteve tão manhoso que mais parece que o Verão nem chegou de verdade. A pessoa acorda de manhã e ok, sim senhores, que belo dia de sol e calor, mas deita-se e não sabe muito bem se ao outro dia vai acordar com sol, chuva ou frio. É toda uma bipolaridade que deusmalivre. Mas vá, estou com fé que vamos ser altamente compensados com um daqueles Setembros e Outubros que ainda dão para ir à praia, e vamos chegar ao Natal com um belo bronze. Pelo menos, ainda conto voltar a vestir o biquíni, e estender este corpitxo na areia, mesmo que seja apenas no fim-de-semana. A ver vamos como diz o cego.


P.S.: quem já tinha saudades minhas aqui por estas bandas, hum?

quinta-feira, 11 de julho de 2019

BEAUTY | Nuxe Crème Prodigieuse Boost Eye Balm Gel

A realidade é que a pessoa já não vai para nova. E o que é que sucede? Sucede que a pessoa começou a dar especial atenção a cremes de olhos. Não é para menos, minhas j'amigas! Os nossos olhos são das zonas mais sensíveis do nosso corpo e são, também, das zonas onde se nota os primeiros sinais de envelhecimento. Além de serem o espelho da alma! Rugas, linhas de expressão, olheiras, papos...estou certa de que ninguém quer isso, portanto, porque não cuidar e prevenir?

De maneiras que com estes trinta e um anos de vida, achei que estava mais do que na altura, senão mesmo em cima da hora, de começar a utilizar cremes de olhos. Não que tenha rugas, apresento apenas algumas linhas de expressão que só se notam quando sorrio, mas a ideia também passa por prevenir. Olheiras? Disso tenho com fartura, para mal dos meus pecados. Ele é papos, ele é aquele negrume à volta dos olhos, qual panda, ele é todo um drama, a verdadeira nódoa negra na beleza. Literalmente.
Posso dormir as minhas sagradas oito horinhas descansadinha da vida, que ao outro dia lá estão elas, as p*tas das olheiras. Mas já é certo e sabido que são vários os factores, além das noites mal dormidas, que poderão contribuir para a formação das ditas cujas e, de facto, passei por uma fase em que mesmo a dormir em condições o meu olhar estava a pedir socorro.

Depois de alguma pesquisa de mercado, informação e opinião, resolvi apostar na Nuxe e comprei o Créme Prodigieux Boost Eye.


Descrição
"Um gel-bálsamo de textura delicada e ultra-refrescante, capaz de iluminar e descongestionar e hidratar a zina do contorno de olhos."
"O Crème Prodigieuse boost gel-bálsamo conta com a acção anti-papos e olheiras da cafeína, a par da nutrição e leveza conferida pelo óleo de avelã."

O que posso dizer sobre os resultados? Ora, depois de o ter usado até à ultima gota, notei efectivamente que a pele do contorno de olhos parece menos fina e sensível, mais hidratada, nutrida e iluminada. Dá um bom refresh ao olhar - o tal boost de energia -, mas em relação a papos e zona escura, sinceramente, não verifiquei grandes diferenças.
Assim, pela minha experiência, considero um creme de olhos ideal para combater os primeiros sinais de envelhecimento e para fortalecer esta zona tão sensível mantendo-a bem hidratada e iluminada, mas não tão eficaz em reduzir papos e clarear a pele.

O creme tem uma textura bastante leve, não é nada pegajoso e é absorvido em poucos minutos, pelo que não interfere com a maquilhagem (se for o caso). Contém ingredientes como vitamina C estabilizada (que ajuda a activar a luminosidade cutânea), ácido hialurónico (que promove uma boa hidratação), cafeína vegetal (que ajuda, supostamente, na acção anti-papos e zona escura), óleo de avelã (para nutrir), flor de jasmim (fortalece as reservas antioxidantes naturais da pele) e flor de calêndula (patente da Nuxe, que promove a produção de colagénio).

Como não fiquei totalmente convencida com este produto e uma vez que temos imensas opções das mais variadas marcas, desta vez resolvi apostar na Sesderma, mas estou a usá-lo há coisa de dois/três dias pelo que ainda é cedo para opinar. Contudo, posso desde já adiantar que também hidrata muito bem e dá um olhar bem iluminado. Vamos ver se funciona melhor como anti-papos e na correcção da cor. Quando estiver em condições de dar uma opinião o mais fidedigna possível, assim o farei aqui pelo estaminé.



Nota de redacção: além das farmácias e parafarmácias, podem comprar online na Sweetcare (aqui). Também têm a Skin (aqui), no entanto, a Sweetcare costuma praticar melhores preços (podem comprovar isso comparando o mesmo produto em ambos os sites) e as entregas são super rápidas. Curiosamente, este produto em especifico, neste momento, está com um desconto bem maior na Skin do que na Sweetcare. 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Ponto de situação literário


Se falarmos em quantidade, não está a ser um ano espectacular, estou a ler o nono livro do ano (desta feita, Agatha Christie), o que significa que nem dois livros por mês dá, e a continuar assim não vou chegar ao número de livros lidos no ano passado. Mas, se por outro lado falarmos em qualidade, está ser um ano literário muito bom, com leituras gratificantes e descobertas de autores muito interessantes.

No que toca a romances, fiquei encantada com Carlos Ruiz Zafón e José Rodrigues dos Santos, cada qual à sua maneira. Carlos Ruiz Zafón tem uma certa magia na escrita e no enredo, oferecendo uma simbiose perfeita entre o romance, melodrama, intriga e suspense, além de uma certa dose de bom humor à mistura, já para não falar nos personagens tão peculiares e encantadores. Já José Rodrigues dos Santos tem a parte da investigação que aliada à ficção resulta numa leitura bastante gratificante. O romancista fascina e informa. É uma excelente sugestão para os amantes de romances históricos e de histórias baseadas em factos verídicos, uma vez que o autor consegue relatar de forma bastante profunda e cativante episódios marcantes da história do nosso país. Penso que a ideia do escritor/jornalista passa mesmo por resgatar, digamos assim, a história de Portugal, aspecto que talvez tenha contribuído para ser dos escritores portugueses contemporâneos a alcançar maior número de edições. Além dos romances históricos, o autor também escreve livros de mistério - os chamados "thrillers" que tanto me fascinam - onde dá vida às aventuras de Tomás Noronha.
Já no campo dos policiais, foi a Série Bergman que me deixou, e passo a expressão, completamente "de quatro" ao ponto de querer assim "munto-munto" ler os cinco volumes, não falando que quase cortei os pulsos quando dei conta que o segundo volume estava esgotadíssimo em todo o lado (mas já o tenho comigo, yeeeahhhhh, yupi yupi). Sem dúvida que é daqueles policiais de leitura compulsiva e que não desilude os amantes deste género de livros.

No inicio deste ano, aquando a minha retrospectiva literária de 2018 (podem ver aqui), dizia que não sabia se este ia ser o ano de Lev Tolstoi (para já não está a ser), mas que tinha em mente explorar autores como Richard Zimbler, Carlos Ruiz Zafón, Júlia Navarro, Kristin Hannah, entre outros. Richard Zimbler, Carlos Ruiz Zafón e Kristin Hannah: check. No "entre outros" está a Trilogia Millennium, por exemplo, que ainda não cheguei lá mas palpita-me que não passa deste Verão.

Aqui pelo estaminé apenas partilhei o meu feedback relativamente ao "Anjo Branco" de José Rodrigues dos Santos, no entanto, vou deixar mais abaixo o link dos livros que li até agora para que possam ler a sinopse e alguns comentários de outros leitores. Entre eles, está o "Tatuador de Auschwitz" que conta a história real e assombrosa de um homem que tinha como tarefa tatuar os prisioneiros, acabando por se apaixonar por uma das mulheres que foi obrigado a tatuar. De seguida li "Os Anagramas de Varsóvia", onde o cenário também é o Holocausto e a desumanidade que é do conhecimento de todos nós. Um thriller histórico em que a personagem principal pretende descobrir quem assassinou o seu sobrinho. Também li o "Três Pequenas Mentiras" que é da mesma autora do livro "O Pedido de Amizade", pelo que mal vi este seu novo lançamento o pensamento foi automático "tenho de ler", no entanto, confesso que não e cativou tanto. O registo é exactamente o mesmo - viagem entre o passado e o futuro das personagens -, mas a história em si deixou muito a desejar. Li "A Grande Solidão" e "O Grupo" muito por influência da Helena Magalhães e do seu "bookgang". Gostei bastante do primeiro, trata-se de um romance profundo e intenso sobre o amor e luta pela sobrevivência e retrata a relação tóxica de um casal. Posso dizer que foi o primeiro livro a arrancar-me umas lágrimazinhas. Quanto ao "O Grupo" temos uma espécie de "Sexo e a Cidade" nos anos 60 (a introdução do livro foi escrita por Candance Bushnell).

"A Sombra do Vento" de Carlos Ruiz Záfon (aqui)
"O Tatuador de Auschwitz" de Heather Morris (aqui)
"Os Anagramas de Varsóvia" de Richard Zimbler (aqui)
"A Grande Solidão" de Kristin Hannah (aqui)
"O Grupo" de Mary Mccarthy (aqui)
"Segredos Obscuros" de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt  (aqui)
"Três Pequenas Mentiras" de Laura Marshall (aqui)


quarta-feira, 19 de junho de 2019

BOOK | "O Anjo Branco" de José Rodrigues dos Santos


...entretém ao mesmo tempo que transmite conhecimento... 

Inspirado na história de vida do pai, este é um romance de José Rodrigues dos Santos sobre a Guerra Colonial e os portugueses em África, e auguro que tenha sido o meu primeiro livro de muitos a ler deste autor.

O protagonista da história chama-se José Branco, um médico que foi viver para Moçambique na década de 1960, que combate contra as barreiras politicas para exercer a sua principal função que é cuidar das pessoas, independentemente da cor.

Uma leitura que nos transporta de forma bastante clara e envolvente para um período histórico de acontecimentos marcantes que envolveram o nosso país: a Guerra do Ultramar, com especial destaque para a saúde precária bem como algumas das atrocidades cometidas em nome da pátria.

Longe de ser entediante, gostei muito da forma como o escritor abordou um tema denso e profundo como este, numa escrita simples, fluída e até com bom humor à mistura em determinadas passagens. Há substância, sente-se que houve um grande trabalho de investigação a fim de passar informação o mais real e credível possível, o que torna a leitura ainda mais interessante. Entretém ao mesmo tempo que transmite conhecimento, além de despontar alguns momentos de reflexão bastante enriquecedores. No entanto, achei que o livro terminou a modos que "às três pancadas" - houve partes que dispensavam tantos pormenores e outras que pediam desenvolvimento mas ficaram em aberto -, talvez seja o único ponto negativo, porque no geral gostei bastante do livro.

De maneiras que fiquei com imensa vontade de ler mais livros deste nosso escritor português, especialmente, a série Tomás Noronha que arranca com o "Codex 632", onde mais uma vez o jornalista aborda parte da história do nosso país, sendo, desta feita, Cristóvão Colombo a figura principal.


nota: ver sinopse e outros comentários aqui

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Foi o melhor que se arranjou #293


Bem sei que este look já vem tarde, que com estes 30 Cº à sombra ninguém quer saber de collants muito menos de botifarras, mas gostei tanto destas fotos que não podia deixar de partilhar.

Não é novidade para ninguém que adoro fotografia e andar de máquina em punho. E decoração com fotos? Adoro de paixão. Tal como adorava fazer um workshop de fotografia para ficar a saber mais e não me sentir tão lerda de cada vez que tento explorar a minha máquina fotográfica. Tenho algumas noções, mas tudo muito básico. Edição de fotografias então, uiii, sou um biiiig zero à esquerda.

Dizia eu que gostei imenso destas fotografias. Gostei e gosto. Não tanto pela minha pessoa (há todo um lado fotogénico que ficou na barriga da minha mãe), mas pelo cenário em si. Sempre achei que um bom cenário faz a foto. De cada vez que fotografava um look, lamentava-me por não morar numa grande cidade como Lisboa ou Porto para poder tirar partido de mil e um cenários possíveis e imaginários. A pessoa até pode estar com o ar mais sem sal desta vida, mas se o pano de fundo for apelativo, acaba por ser um mero detalhe que passa ao lado. Não que não tenha aqui à volta spots bonitos, pelo contrário, a zona de Aveiro também tem muito o ar de sua graça (oh se tem!) e já saquei fotos super giras, mas a oferta talvez não seja tão vasta como numa grande metrópole. É normal. Estas fotos, apesar de não serem no exterior, acho que ficaram super giras. Lá está, pelo local em si.  Pelo cenário. Pelos detalhes. Este spot, no Mercado Negro em Aveiro, é bem giro e interessante. Um pouco alternativo, é certo, mas se assim não fosse seria só mais um bar.

Fechamos assim o mês de Maio aqui no blog. Com um "foi o melhor que se arranjou", curiosamente, o primeiro deste ano.  

quinta-feira, 30 de maio de 2019

New hairstyle in town

Atchiimmmmmmmmmm!!
Perdão pelos perdigotos, mas o pó e as teias de aranha que pairam aqui pelo estaminé fizeram-me comichão no nariz.

Então, como é que estão os meus ilustres leitores? Alguém por aí ou foi desta que fizeram uma cruz no blog?
Eu estou bem, obrigada por perguntarem. Mais uma ausência, mas vá, nada que já não estejam habituadas.

Eu sei que já foi há pouco mais de um mês que cortei o cabelo, e com certeza que muitas de vocês já viram fotos lá pela Instalândia, mas penso que o resultado de uma mudança de visual é sempre digno de post. Portantos, é isto:


Vocês bem que incentivam, mas ainda não foi desta que me aventurei num daqueles bob curtíssimos. Ainda assim, cortei um bom pedaço de cabelo, ao ponto de não conseguir fazer a minha trancinha quando vou treinar.
Além do corte, voltei a ser morena. Depois de dois anos meia loira, aceitei a sugestão de optar por tons mais mel/caramelo/acobreado/o-que-lhe-queiram-chamar, dando um ar assim mais natural. Confesso que enquanto a Svi secava o meu cabelo, sentia-me algo reticente, estava a estranhar e ali na duvida se tinha sido boa ideia ou não. Duvida essa que passou depressa. É o chamado: primeiro estranha-se depois entranha-se.

Definitivamente, o cabelo assim curto é a minha "cena", mas muito mais curto que isto, nem pensar. Tenho de ter cabelo a tapar-me o pescoço, caso contrário, sinto-me uma girafa da Somália.

Depois de anos e anos escrava do gadelhame, a achar que cabelos compridos é que eram giros e sexy's e cenas, e que compridão é que me favorecia, nos dias de hoje confesso que não sei se alguma vez voltarei a ter cabelo comprido. Nunca digas nunca, mas...

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Matar como quem vai ali ao pão

Até hoje não sei o que é perder um familiar directo ou um amigo bastante próximo (que o diabo seja cego, surdo e mudo!!). O meu avô paterno faleceu bem antes de eu ser nascida e era bastante nova quando o meu avô materno partiu, para perceber realmente a dor do que estava a acontecer. Mas já vi partir pessoas conhecidas do meu meio, por alguma ligação aos meus pais ou a amigos meus mais próximos e, infelizmente, também já vi partir pessoas ainda bastante jovens com quem cheguei a partilhar alguns momentos. Apesar da ligação não tão próxima com estas pessoas é impossível não sentir um murro no estômago e sentir um pouquinho na pele a dor daqueles que lhes eram realmente próximos, principalmente, tratando-se de jovens e/ou de mortes inesperadas, no entanto, imagino que nunca será equiparável à dor de perder um filho, uma mulher, um pai, uma mãe, um namorado. Dor essa que desconheço e espero, espero mesmo não vir a conhecer tão cedo.

Ontem, quando vi a noticia sobre uma mulher morta a tiro em Oeiras através do Instagram da Cê e li o nome "Bárbara Varella Cid" fiquei completamente em choque. Não queria acreditar. Ainda não tinha almoçado, tinha acordado muito cedo para ir correr e tinha acabado de fazer uma sesta, mas qualquer preguiça que pudesse sentir passou num ápice. Pus-me automaticamente de pé e o meu cérebro só pensava "não pode ser, não pode ser, não pode ser, é a "minha Báá", não pode ser". Senti um aperto enorme no peito e fiquei num estado profundo de negação. Os meus olhos encheram-se de água e não consegui evitar que as lágrimas me escorressem pelo rosto.

A Bárbara era uma leitora assídua do blog. Das antigas. Também me seguia pelas redes sociais. Acompanhou-me nestes meus últimos quatro anos, em que tanto aconteceu. Mesmo nos meus períodos de ausência, ela estava sempre aqui. Trocámos muitas mensagens e até alguns e-mails. Trocámos fotos, trocámos ideias, partilhámos estados de espírito e algumas confidências do nosso dia-a-dia. A Bárbara tinha um carinho especial por mim. Fazia questão de o dizer, mas não precisava porque eu sentia-o nas suas palavras. O seu aniversário era um dia anterior ao meu. Não, nunca a conheci pessoalmente, mas tinha-a como uma amiga. Virtual, mas talvez mais real e mais verdadeira comparando com algumas pessoas que já passaram na minha vida. Porque há pessoas que são simplesmente feitas de luz. E ver as mensagens de pesar que vão sendo deixadas na sua página pessoal do Facebook, mostra-me que não estava rigorosamente nada enganada em relação à pessoa que conheci virtualmente e à imagem que criei dela: sorriso franco, genuinamente doce e simpática e de uma alegria contagiante.


Sinto que a Bárbara era daquelas pessoas difíceis de não se gostar e que deixará imensa saudade e um vazio enorme naqueles que lhe eram próximos. Aquele será o sorriso que vou guardar com carinho na memória.

Já li e reli as nossas conversas vezes sem conta. Continuo aqui com um nó no coração e a desejar que fosse tudo mentira. Mas não é. A Bárbara tinha um marido que amava, dois filhos lindos e ainda muito a fazer nesta vida. Pergunto-me como é que alguém tem coragem de ser tão cruel, tão frio, tão desumano ao ponto de ser capaz de cometer uma barbaridade destas. Todos os dias vemos noticias de pais a matarem filhos, filhos a matarem pais, namorados a matar namoradas, das formas mais variadas e inacreditáveis. Hoje mata-se por dá cá aquela palha. No que é que "nos" estamos a transformar?! É terrivelmente assustador.

Não podia deixar de escrever umas palavras sobre a Bárbara, a "minha Báá", neste que foi o espaço que nos uniu de alguma forma e que nos fez gostar uma da outra. Num dos seus últimos e-mails dizia-me "nunca imaginei ser possível criar uma ligação e laços fortes com alguém que, pessoalmente, não conhecemos mas... é possível". Sim, Bárbara, é mesmo possível. Da mesma forma que é possível chorar a perda de alguém que nunca chegámos a conhecer pessoalmente.


Já não vamos correr as duas, mas quem sabe se não o farei por ti.

Descansa em paz "minha Báá" ❤