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terça-feira, 17 de abril de 2018

"O Prodígio"


agora venha o filme, se faz favor!

Li o livro em duas semanas. Não me lembro da última vez que tivesse lido um livro em tão pouco tempo. Talvez desde o tempo de "Uma Aventura", que num só fim-de-semana era bem capaz de despachar um livro ou dois.

Não sei se se recordam, mas comprei este livro na minha visita à Livraria Lello (ver aqui). Sabia que podia descontar o valor da entrada na compra de um livro, então, tinha levado comigo uma pequena lista com aqueles que gostava de ler e, coincidência das coincidências, não tinham nenhum deles disponíveis. Oh porra! Não gosto nada de comprar um livro sem ter qualquer referência do mesmo, sob pena de "apostar no cavalo errado". Estava o drama instalado, portanto. Foi um "pega livro-poisa livro-pega livro-poisa livro" que só visto. Até que encontrei este e o que me chamou desde logo a atenção foi o facto de ser da mesma autora do bestseller "O Quarto de Jack" que, apesar de não ter lido o livro, vi o filme e amei. Li a contracapa e decidi arriscar.

"O Prodígio" é um romance histórico, duro ao nível emocional, marcado pelo fundamentalismo, envolvendo conceitos religiosos levados ao extremo. Tal como em "O Quarto de Jack", a história também gira à volta de uma criança e é igualmente perturbador e inquietante. Anna O'Donnell é uma menina de 11 anos, filha de uma família fervorosamente católica, que se recusa a comer sem sofrer consequências físicas aparentes. Nisto, surge a enfermeira Lib Wright que é contratada por uma espécie de comité para vigiar a criança e confirmar se se trata mesmo de um milagre ou se não passa de uma fraude. Lib está plenamente convencida de que é tudo uma grande mentira e procura a todo o custo pistas que provem que Anna está a enganar toda a gente ou então a ser vitima de um esquema. Com o passar dos dias, Lib não descobre nada e a saúde da menina vai-se degradando cada vez mais.

Será mesmo milagre ou não passa de uma fraude?
Conseguirá Lib desmascarar o logro?
Estará Anna a ser vitima dos que mais ama?
Esconde algum trauma?
Até onde vai o fanatismo religioso?

O pano histórico é uma Irlanda fragilizada pela Grande Fome - entre 1845-1849 -, e a história é inspirada em factos reais, mais precisamente no caso das chamadas "Virgens-Jejuadoras" aclamadas por sobreviverem sem comida por longos períodos.

Apesar de uma narrativa lenta e de capítulos extensos, senti-me completamente absorvida pela história - os diálogos ajudam - e dei por mim super inquietada com o desenrolar dos acontecimentos e ansiosa pelo desfecho do mistério.

Acho que Emma Donoghue consegue transportar-nos directamente para os seus cenários e transmite eficazmente a natureza sinistra dos factos, criando toda uma atmosfera que nos prende à leitura de forma curiosa e inquietante. Só isso explica a minha pessoa ter lido o livro em tão pouco tempo.
Bom, agora venha o filme (e outro livro, se não for pedir muito)!

5 comentários:

  1. Bem eu fiquei curiosa com o teu testemunho, acho que vou ter que o colocar na minha lista ;)

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  2. Fiquei curiosa! Ainda não li nada dela, mas vou pôr este título nos meus "to read"!

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  3. Eu ando a ler dois ao mesmo tempo mas duvido que dois meses cheguem para os acabar....
    Quando chego à cama já vou de rastos, leio duas páginas e adormeço!

    No blogue novo post de mais um dia da minha incrível viagem ao Nepal: https://despertarosonho.blogspot.pt/

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  4. Tenho mesmo que adicionar este livro à minha lista *.*

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  5. Fiquei curiosa.:)

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

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